por Daniel Seabra
É meus amigos, mais uma vez aconteceu um jogo entre Brasil e Argentina. Foi
mesmo um jogo? Ou foi uma guerra? Há quem diga que não foi nem uma coisa nem
outra, foi, sim, uma covardia. Assistir jogadores como Simeoni, Crespo, Aimar,
Ortega e vários outros talentos individuais, sem se falar em conjunto adquirido
por esta seleção que joga junto há muitos anos, dando um verdadeiro show nos
nossos "cabeças de bagre", foi deprimente. Dois a um ficou de muito
bom tamanho para nós. Ainda mais com um gol estranho como aquele. Alguém
poderia me explicar, de forma convincente, pois de todas as formas já nos foi
tentado alguma explicação (sem o menor convencimento), por que jogadores como
Cris, Roque Júnior, Eduardo Costa, Cafu, Mauro Silva, Roberto Carlos e mais
alguns, que nem cabe citar (não teríamos espaço) continuam a ser convocados?
O que eles já fizeram pela seleção? Que trabalhos tão relevantes foram esse,
que os tornaram intocáveis?
Sem precisar remexer muito na memória, lembro facilmente de Zico, Sócrates,
Garrincha, Falcão, Tostão, Zizinho, Vavá, e o maior de todos, Pelé. Vão
dizer que sou saudosista, que o futebol mudou, que os tempos são outros. Mas e
daí? Será que realmente, como disse o nosso Felipão, "não existe mais
espaço para futebol arte"? Eu acho que ainda poderíamos montar uma
seleção que, se não nos enchesse os olhos, pelo menos no daria algum alento.
Basta analisarmos alguns lances do atual Campeonato Brasileiro. Estamos nos
maravilhando com várias jogadas belíssimas. Lances que nos fazem voltar ao
passado. Por que alguns jogadores que tanto se destacam no Brasileirão sequer
são lembrados e outros, pelo simples fato de jogarem no exterior são sempre
convocados?
No momento, a convocação da seleção tem sido um ato totalmente repetitivo.
Antes mesmo de a lista ser divulgada, todos já sabemos quem será chamado dessa
vez (como de todas as outras vezes...). Perder para a Argentina, considerada a
melhor seleção do mundo, é sempre um resultado absolutamente normal, ainda
mais jogando no campo deles. Porém, seria mais normal se realmente fosse a
seleção brasileira, não um amontoado de pernas-de-pau.
Será que ainda nos resta alguma esperança? De nos classificarmos, eu acho que
sim, até de forma tranqüila. O Brasil deve se classificar sem muitas
dificuldades (ou não...). Mas de voltar a ver uma seleção realmente
brasileira, jogando aquele futebol "moleque" e que encantou o mundo
há alguns anos, infelizmente, é quase certo que não.
