por Daniel Seabra
Eu iria usar meu espaço desta coluna para comentar as cenas ridículas
proporcionadas pelo excelentíssimo senhor presidente do Clube de Regatas
Flamengo, Edmundo dos Santos Silva. Não bastasse a choradeira absurda (e sem lágrimas,
diga-se de passagem) que tivemos que assistir outro dia, em seu primeiro
depoimento, agora ele foi totalmente esmagado pelos senadores da CPI. Mas como
eu acho que não vai dar em nada, que todos irão continuar enfiando a mão e
depois não sabendo como explicar de onde veio o dinheiro e, como eu também
acho que o Brasil tem problemas muito, mas muito, mas muito mais importantes
para serem resolvidos que o futebol, vou comentar sobre as cenas de selvageria
das torcidas do Santos.
É um absurdo o que foi feito pela torcida. Meus amigos santistas, torcida, como
já diz o nome, é para torcer. Gritar, vaiar, bater palma, xingar, tudo isso é
função da torcida, mas na arquibancada.
Esse negócio de entrar em campo de treinamento, tentar agredir jogadores,
soltar foguetes em cima dos atletas, isso é coisa de vândalos, de pessoas que
nada tem na cabeça. Deu até pra ouvir, pela televisão, um torcedor gritando
"você tem que tirar o fulano do time, ciclano tem que sair".
Ora, pelo amor de Deus, se você quer ser treinador, meu amigo TORCEDOR, vá
fazer um curso de educação física e um curso de treinador. Não vá dando
palpite aonde você não entende. Além do mais, vale lembrar que jogadores são
patrimônios do clube. Para os torcedores é muito fácil. Fulano, fulano e
fulano simplesmente saem do time, deixam a equipe e tudo vai melhorar e fica
assim, "tudo como dantes no quartel de abrantes".
E o dinheiro que foi aplicado na equipe, na compra dos jogadores e no pagamento
dos seus salários? Como é que fica isso? A torcida paga? Eu tenho certeza que
não.
Então, torcida do Santos, vamos com calma, minha gente. Não é assim que se
reverte uma situação de crise. Já imaginou se a moda pega aqui no Brasil? Vai
ser pancadaria e foguetório pra todo lado.
